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September 10, 2011
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O Sol já não brilhava tão claramente como antes. As nuvens bloqueavam a maior parte do céu — como sempre —, e eu já nem conseguia mais me lembrar de como era a vida antes de tudo ir à merda. Eu não conseguia me lembrar de um dia que eu dormi sem meu revólver Colt Navy ao meu lado em seu coldre, ou de um dia em que eu saí de casa sem tanto o revólver quanto um rifle de caça. Mas eu conseguia esquecer muito bem durante dias ou semanas inteiras meu nome. Nomes não tinham mais sentido naquele mundo depravado. De que te adianta um nome quando a pessoa à sua frente quer apenas te foder ou comer?
Nova York estava lotada de canibais e estupradores. Os homens eram mortos, as mulheres, estupradas. As crianças eram estupradas e então devoradas. A carne de uma criança era mais macia que a de um homem adulto, eu ouvi um dos canibais dizer antes de eu explodir seu cérebro com meu rifle. Aquilo já fazia semanas, e ainda não havia desaparecido de minha mente. Ele nem ao menos implorou por sua vida. Nem sentiu remorso. O filho da puta iria para o Inferno, e nem se importava. Ele estava sorrindo quando eu puxei o gatilho.
A maior dificuldade naqueles dias era encontrar comida. Comida real, não outros retardados estúpidos demais para não andarem na frente do meu rifle. Enquanto eu fumava um cigarro em meu apartamento, olhando os prédios destruídos, eu sabia que este era um daqueles dias de merda. Toda a comida que eu havia coletado há uma semana havia acabado, e eu teria que buscar mais. Já estava vestido, como sempre, então só coloquei meu rifle nas costas e parti.
Andei pelas ruas de Nova York durante algum tempo, matando canibais e atacantes e procurando comida nos apartamentos que eu conseguia arrombar as portas, mas até ali nenhuma sorte. Eu estava virando a esquina quando ouvi uma voz estranha atrás de mim, como se ela falasse em duas vozes ao mesmo tempo. O que ela dizia, contudo, era estranhamente inteligível:
— Mortal…
Eu me virei. Minha visão parou em um homem alto, um pouco menor que eu, de cabelos ruivos e olhos claros, da cor do céu. Ele vestia um sobretudo negro com detalhes em branco e, por baixo, uma calça negra e uma camisa vermelha. Eu pude notar algo reluzente em seu pescoço, que deduzi ser uma cruz. Ele desembainhava uma espada.
— Eu sou Requiem, e vim lhe tirar deste sofri… — Dei um tiro em sua cabeça.
Ele não caiu, só soltando um leve gemido de dor.
Dei outro tiro, e ele caiu. Um pouco receoso, fui até ele e esvaziei minha arma em sua cabeça, mas ele não morreu.
— Para com isso! — ele gritou, mas eu não ouvi. Já estava recarregando minha arma e me preparando para sacar meu rifle. Ele conseguiu se levantar. Sangue escorria das feridas aonde dei tiros, mas, de qualquer forma, ele parecia estar bem. Era como se meus tiros não surtissem efeito. Eu notei que ele, como eu, tinha um coldre, mas que ele tinha uma arma estranhíssima consigo. Era parecida com as dos filmes Western com Clint Eastwood, mas era toda preta e não reluzia luz alguma. De fato, ela parecia sugar a luz do ambiente. Eu já estava com o rifle em mãos, e o tal "Requiem" já havia sacado sua espada. Ele trouxe uma espada para uma batalha de rifles. Eu notei que um dos meus tiros que errou sua face deixou um buraco em sua camisa. Isso seria útil.
Requiem me atacou com a espada, porém eu fui mais rápido e dei um tiro em sua cintura. Rolei para desviar do ataque imbecil dele e peguei a arma que caiu do coldre rasgado. Apontei-a para ele, e ele imediatamente parou, levantando as mãos.
— Como raios você…
— Anos de experiência — respondi, nada amigável.
— Amigo…
— Vá se catar. Não me chame de amigo.
— Bem, eu não sei seu nome para te chamar de outra coisa.
Eu não respondi. Fiquei em silêncio durante alguns segundos, só para fazer uma pausa constrangedora. Eram tempos difíceis, e eu tomava meu humor onde podia.
— Por que você não morreu quando eu te atirei?
— Ah, eis a coisa: Eu não posso morrer. Não sou um homem.
— Então por que você está com medo desta arma?
— Porque essa arma não é uma arma mortal. Ela não mata carne. Ela mata almas.
— Ah, ótimo. Mais um maluco achando que é um anjo.
— Você pode me devolver minha arma?
— O que você acha que eu sou? Um idiota? Esta arma fica comigo — guardei a tal arma no meu segundo coldre.
— Ah, este é o problema. Existem outras pessoas com uma arma como essa. Se eu não tiver essa arma, fodo-me.
Normalmente, eu teria matado o tal imbecil. Mas algo dentro de mim me dizia que esse retardado podia vir a me ser útil.
— Ok.
— Vai me devolver a arma? — ele começou a vir em minha direção. Eu puxei o tambor da arma, e ele imediatamente parou.
— Você vem comigo. E a arma fica comigo.
— Tudo bem. Mas eu posso pelo menos saber seu nome?
— Jack Adams. Me chame de Jack.
— Prazer, Jack. Eu sou Requiem.
— Sim, você me disse. Você não tem um nome menos imbecil, não? Que tipo de nome é esse?
— Foi… Foi o nome que o Criador me deu…
— Seu criador era um idiota. Enfim, vamos. Estamos à procura de comida.
Já estávamos nos preparando para começar a procurar, quando uma voz nos interrompeu, tão esquisita quanto a tal do Requiem:
— Requiem! Prepare-se!
Filha da puta…
Primeiro capítulo de “Fim dos Dias”, a série estrelando :iconrekkiem:, :iconcrazy-nero: e eu! Também é uma comissão de :iconencaitarherenvarno:, e planejo que ela venha a ter por volta de cinco ou seis capítulos. Próximo capítulo em breve!
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:iconrekkiem:
Rekkiem Featured By Owner Sep 11, 2011  Hobbyist Digital Artist
Tá ficando foda, como já era de se esperar.

Como já comentaram, a sua narrativa é bem bacana. Eu acho esse estilo meio objetivo mais agradável de ler.

Gostei da sua idéia de introduzir o Jack como protagonista e narrando o que ele presenciou.

Com certeza nâo dá pra comparar com uma fanfic qualquer.

Parabéns pelo talento e obrigado pela homenagem ao Requiem.

Na expectativa pelo próximo capítulo! *-*
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:iconburn-taichou:
Burn-taichou Featured By Owner Sep 11, 2011  Student Digital Artist
Impressão minha ou esse Jack Adams é uma versão pós-apocalíptica de você? De qualquer jeito, curti o texto.
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:iconfelipenero:
FelipeNero Featured By Owner Sep 10, 2011  Hobbyist Digital Artist
/o/

show de bola,
sua narrativa é bem bacana VFB,

vou tomar vergonha na cara e escrever um novo journal,
daí aproveito pra divulgar isso aqui ^^
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:iconvbiancardine:
vBiancardine Featured By Owner Sep 10, 2011  Professional Writer
Obrigado x2. Pelo elogio e pela divulgação.
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:iconencaitarherenvarno:
EncaitarHerenvarno Featured By Owner Sep 10, 2011  Student Writer
Caramba, que massa!

Pena que acabou ali, quero ver a continuação, haha i.i

Gostei do teu jeito de narrar, não fica muito preso a detalhes mínimos, e narrativa vai fluindo de uma forma perfeita : )

Fiquei curioso pra saber o que houve com NY... oO

Ah, e aliás, ficou bem do jeito que eu esperava mesmo, tô vendo que vai ter bastante ação nos próximos capítulos ainda *-*

E estou escrevendo o comentário por parágrafos totalmente díspares entre si porque não consigo escrever de outro jeito com o sono que tenho agora... ^^
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:iconvbiancardine:
vBiancardine Featured By Owner Sep 10, 2011  Professional Writer
Terá continuação, aguarde. Meu jeito de narrar levou anos para desenvolver, e ainda está a evoluir, portanto obrigado. O que aconteceu com NY será revelado no futuro. Que bom que respondeu às suas expectativas, e sim, terá bastante ação por vir.
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:iconencaitarherenvarno:
EncaitarHerenvarno Featured By Owner Sep 10, 2011  Student Writer
Ansioso esperando o próximo, então ^_^
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